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ASAE apreende produtos lácteos chineses em Portugal Imprimir E-mail

2008.09.29   00:00      Portugal
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu, para já, setenta embalagens de produtos com leite e quase três toneladas de alimentos, depois de, num momento anterior, ter afirmado não ter detectado no mercado quaisquer produtos lácteos provenientes da China.

Na operação a nível nacional, refere a ASAE em comunicado, "foram apreendidas 70 embalagens de produtos que continham leite na sua composição e cerca 2.850 quilos de géneros alimentícios, designadamente chocolates, preparados de sopas e bolachas que continham produtos lácteos e falta de rotulagem".

No total, adianta, foram fiscalizados 364 agentes económicos, tendo a operação resultado em 27 processos de contra ordenação e na suspensão de quatro estabelecimentos por falta de higiene, bem como de um supermercado onde "todos os produtos que se encontravam à venda não possuíam rotulagem em português".

A acção, que envolveu 60 brigadas, foi lançada "na sequência das notícias vindas a público sobre a existência à venda no mercado português de leite e produtos derivados de leite, proveniente da China", destinando-se a verificar se estes de facto estavam disponíveis no mercado. "A ASAE continuará atenta ao mercado, desenvolverá as iniciativas necessárias para o cumprimento da legislação nacional e de eventuais deliberações comunitárias", refere o comunicado.

Antes, o inspector-geral da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica, António Nunes havia admitido ser incapaz de garantir que não há importação ilegal e paralela de pequenas quantidades de produtos lácteos da China, mas reafirma que a vigilância foi reforçada.

"Não posso garantir que não haja pessoas que façam importações ilegais e paralelas, por isso é que nós existimos, para retirar imediatamente esses produtos dos locais afirmou António Nunes. "Isso é perfeitamente possível. O que a ASAE diz e volta a reafirmar é que não tinha indícios de que houvesse importação de leite e derivados para Portugal, medida proibida desde 2002. O que não quer dizer que não possa existir em pequenas quantidades por canais informais", continuou. "Aquilo que garantimos é que nos circuitos normais não há indícios dessa importação", acrescentou.

Reafirmando uma "forte vigilância do mercado", o inspector-geral lembrou contudo que "é impossível ter uma brigada em cada esquina". António Nunes garantiu ainda que a ASAE vai verificar todas as cadeias de importação de produtos, restauração e lojas de produtos orientais apreendendo todos os produtos à base de leite proveniente da China que forem encontrados. Quanto aos sucedâneos, como rebuçados ou bolachas, serão recolhidas amostras e, sempre que haja qualquer irregularidade, serão apreendidos.

Contaminação com melamina alarma o Mundo
Primeiro era o leite em pó. Agora, a lista de produtos suspeitos já incluiu leite UHT, iogurtes, gelados, bolos, chocolates e rebuçados, entre outros. A lista de países que baniram ou estão a testar todos os produtos que tenham leite em pó na sua composição também está a crescer.

Os mercados internacionais fecharam as portas a qualquer produto da China que tenha leite em pó na sua composição. Após uma proposta apresentada pela Comissão Europeia, os 27 Estados membros da UE iniciaram um bloqueio aos artigos que possam ter sequer vestígios da tóxica melamina, responsável pela morte de quatro bebés na China. A Europa é o mais recente aliado de um boicote que já contava com mais de duas dezenas de países da Ásia, África e América do Norte.

O caso do “medo do leite” (como já lhe chamou o ministro do Comércio chinês) já quase pode ser chamado de o caso do “medo da China”. Ao leite em pó somou-se o leite UHT, depois os iogurtes, os doces, os bolos os gelados, os rebuçados, os chocolates. A suspeita alastra de dia para dia e a lista de países que baniram ou impuseram duras restrições à importação de produtos lácteos (ou que simplesmente contenham leite em pó na sua composição) está cada vez maior.

O pânico espalhou-se aos países vizinhos na Ásia, depois chegou a África e América e agora instalou-se na Europa. A Itália e a França anteciparam-se às recomendações da UE e já tinham avançado com algumas medidas de protecção. Agora, há uma recomendação que deverá ser acatada pelos 27 estados membros e que aperta o embargo a produtos lácteos imposto pela Europa à China, em vigor desde 2002.

Entretanto, em Hong Kong, a conhecida empresa Heinz anunciava a retirada de uma variedade de comida para bebé (produzida na China e apenas para a China) por causa da presença residual de melamina. Em Shangai, o produtor dos populares rebuçados “White Rabbit Creamy” anunciou que iria suspender a venda dos mesmos na China e a exportação para mais de 50 países. A Organização Mundial de Saúde e a sua agência para a agricultura e alimentação (FAO, na sigla em inglês) emitiram um comunicado pedindo uma vigilância cerrada a estes produtos. “É vital restaurar a confiança dos consumidores. Os produtos contaminados pela melamina devem ser retirados do mercado alimentar para prevenir qualquer nova contaminação. O fornecimento de produtos lácteos deve ser restaurada imediatamente”, referia Ezzeddine Boutrif, responsável da divisão de defesa dos consumidores da FAO.

A China tenta evitar a todo o custo – com anúncios de novas e rigorosas regras de segurança alimentar, demissões de altos cargos do governo e detenções de presumíveis responsáveis pelo uso da melamina nos artigos - afundar-se neste escândalo. A única coisa que parece estar a conseguir desviar algumas atenções é o entusiasmo à volta da missão espacial chinesa. No entanto, o país já não vai conseguir evitar o descrédito dos consumidores e mais esta nódoa na sua já suja história de controlo alimentar (em 2007, centenas de animais de estimação adoeceram gravemente nos Estados Unidos após a ingestão de uma ração contaminada com melamina produzida na China).

Os mais recentes dados oficiais divulgados no início desta semana pelo ministério da Saúde chinês referiam que o número de crianças hospitalizadas subiu das 6244 já anunciadas para 12.892, incluindo 104 em estado grave. Mais de 1500 já deixaram o hospital e quase 40.000 "receberam tratamento clínico e aconselhamento" antes de irem para casa. O Ministério não explicou como é que o número subiu tanto, mas fala já em mais de 54 mil crianças afectadas.

Nos últimos dias, as estatísticas não oficiais dizem que há mais cerca de dez mil crianças afectadas e uma grande parte é residente na província de Hebei (onde se encontra a sede da empresa Sanlu, a primeira e principal companhia implicada no escândalo). A melamina (usada para disfarçar leite diluído e aumentar artificialmente os níveis de proteínas) foi detectada em dez por cento das amostras de leite e iogurtes de três grandes empresas chinesas de lacticínios.

FONTE: Agência Lusa/Público

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